so*ci:e*da*de . sf. 1. Meio humano em que o indivíduo está integrado. 2. Grêmio; associação. 3. Comunidade. 4. Grupo de pessoas que, submetidas a um regulamento, exercem atividades comuns ou defendem interesses comuns.
Mens Sana in Corpore Sano.
O poeta Juvenal foi influenciado pelas idéias dos filósofos pré-socráticos, dos sofistas, de Platão e de Aristóteles. Além disso, ele foi influenciado também pelo helenismo e era rodeado por inquietações emergentes na época do Império Romano. Ele tinha ciência dos vícios e crimes que rodeavam sua cidade, e conhecia todas as formas de corrupção que pairavam no governo daquela época. O poeta não concordava com as imensas desigualdades sociais existentes, enquanto os governantes viviam em meio de luxo e disputa por vaidades, podendo resumir o seu princípio em direito de todos à vida e ao bem estar. Dessa forma, Juvenal não concordava com o costume dos romanos de fazer preces aos deuses para resolver problemas vitais sem possuir cuidados pessoais, demonstrando que a prece não tem valor se não há um espírito são em um corpo são que é o que todos deveriam procurar.
A valorização da vida foi bem imposta por Juvenal, mostrando a sua influência pelos filósofos helenísticos daquela época que se preocupavam com os problemas vitais no intuito de se alcançar a felicidade. A época helenística caracteriza-se pela valorização do indivíduo, problematizando a importância sócio-política da Pólis grega, que era subentendida como superior a todas as outras pelos próprios gregos. O criador do Helenismo, Alexandre Magno, tinha o intuito de reunir diversos povos do mundo, acabando com os preconceitos racistas e diferenças entre gregos e bárbaros. Era frisado que a intensa busca pelo prazer, amor à riqueza, sede de poder, desejo da fama e sucesso leva o ser humano à infelicidade. Percebemos a proximidade de Juvenal ao helenismo quando a idéia de enfatizar a vida proposta pelo poeta se aproxima da idéia que a eliminação do desejo da imortalidade da alma pode ser percebida pela consideração que a morte é a provação das sensações, demonstrando que para ambos a morte não deveria ser buscada a qualquer custo para atingir a imortalidade da alma, nem temida ao ponto da necessidade de prolongar a vida, e sim à vida deveria ser bem vivida a cada momento.
No que se diz respeito à não ter paixões, dito por Juvenal, não podemos achar que ele despreza os prazeres corpóreos, e sim reforça a necessidade dos cuidados com o corpo, eliminando desejos considerados desnecessários para si mesmo e para com os outros, como a busca pelo poder e enriquecimento, regimes excessivos, e outros, que levam o indivíduo à ganância e egoísmo. É válido lembrar que na sociedade greco-romana na Antiguidade primava-se pela amizade e busca de felicidade, onde o amor entre os rapazes era aceito e reconhecia a necessidade os prazeres para a vida, mesmo com a prevalência da razão encontrada nos pensamentos de Platão e Aristóteles. Tal ética, porém, mostra-se contrária da encontrada na época do Cristianismo, onde todo e qualquer prazer corporal é ligado ao pecado. Segundo Foroucault, Platão e Aristóteles não negavam os prazeres e sim defendiam a temperança como uma arte, uma prática dos prazeres que é capaz, ao usar daqueles que são baseados na necessidade, de se limitar ela própria.
Temos que avaliar, porém, que a Máxima de Juvenal surgiu em um momento onde não existia fronteira entre a ciência e a filosofia, misturando-se com as práticas educativas greco-romanas. Um momento marcado por mitos, filosofia natural, naturalismo biológico de Aristóteles, helenismo, aspectos políticos e comunitários da Padéia grega e pelo pensamento socrático do conhecimento de si mesmo. Nesse contexto, a idéia de razão é inserida em um espaço ético, relacionando-se ao meio que ocorre, constituindo-se através do pensamento de Aristóteles e Platão. Para os gregos o objeto exterior buscado pela filosofia é a política e a Polis. Platão procurou introduzir na filosofia processos matemáticos, enquanto Aristóteles buscava a compreensão da natureza através de investigações contemplativas. Apesar de ambos possuírem uma concepção cosmológica de mundo, eles possuíam explicações diferentes. Para Platão o universo era resultado de uma ação divina, utilizando a dialética para mostrar que a virtude pode ser ensinada; para Aristóteles o universo era reconhecido como um organismo que possui dinamismo interior.
É visivelmente estranho como o nosso modelo de sociedade parece semelhante como aquela que Juvenal se opunhou. E também, como depois de tanto tempo e tantos outros poetas, seus ideiais ainda são válidos. Salve Juvenal.