segunda-feira, 17 de março de 2008

Pedagocídio comportamental

Quando você está no colégio o que menos importa é a função educacional de tudo aquilo que lhe é exposto. Podemos até compreender essa falta de comprometimento com aquele que está em cima do tablado gastando a sua voz, muitas vezes em vão, afinal, o conteúdo programático obrigatório está muito aquém do que precisamos para totalizarmos a nossa formação como cidadãos. Geralmente escolhemos cursar uma faculdade de acordo com as nossas aptidões cognitivas, afetivas e até motoras em alguns casos. Não seria um paradoxo essa falta de comprometimento com o saber doscente que encontramos nas salas de aula do ensino superior? Será que os jovens acabam caindo de paraquédas nos cursos de graduação, e por isso acabam cursando de qualquer maneira sem perspectiva de traçar ali o caminho para o seu sucesso profissional? Talvez seja consequência de um currículo cheio de teoria, de disciplinas que parecem não ter causa nem efeito. De qualquer forma, não acredito em uma formação pontual, especializada. Seja em qualquer área, o profissional deve ser global, então enquanto estudante ele pode tirar proveito de todas aquelas matérias, mesmo pensando que aquele conteúdo não vai lhe servir para nada. Acredito que esse panaroma deve se repetir nos mais variados cursos de graduação, mas o que me deixa indignada é ver isso acontecer no curso que eu faço, que é de licenciatura. São futuros professores que não dão importância à função de lecionar. Como pessoas que trocam a oportunidade de aprender pela capacidade de não fazer nada podem em alguns instantes estarem cumprindo o papel de um professor com a finalidade de educar crianças, jovens e até adultos? Como pode uma pessoa estar cursando a licenciatura sem saber o real objetivo da educação? Qual será o papel desse profissional para com a sociedade? Por que será que os jovens estão cada vez dando menos valor à oportunidade que o Estado dá de financiar sua formação? Não existe um menor comprometimento destes em retribuir para a sociedade aquilo que lhe foi ensinado através do seu trabalho. Será que é complicado demais ter maturidade para compreender tudo aquilo que está por trás daquele professor que todo dia tenta com as suas ferramentas contribuir para a que a sua formação seja satisfatória? É triste ver o que está sendo feito com o jovem e o que nos espera pela frente com a nova sociedade adulta que está surgindo. As causas são as mais variadas, desde interesse do Estado como a falta de uma educação de base que deveria ser dada pelos pais. Por isso trabalhar com educação ao meu ver está cada vez mais difícil seja em qualquer nível de ensino, mas isso é assunto para outro tópico.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Direito à educação?

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

Constituição Federal de 1988, artigo 205.


A partir desses princípios podemos analisar o que têm sido feito para alcançá-los. Porém, para compreendermos a evolução da implantação do sistema educacional como requisito para que os indivíduos possam usufruir dos bens da sociedade, e assim, dos direitos constitutivos do estatuto da cidadania, devemos conhecer os principais tópicos referentes à educação das sucessivas Constituições do Brasil desde 1824 até de 1988, somando com a Lei de Diretrizes e Bases atual.
A primeira constituição do Brasil independente, a de 1824, instituiu a instrução primária gratuita a todos os cidadãos, entre os primeiros países do mundo a fazê-lo. Deve-se lembrar, porém, o que o termo cidadão na época excluía os escravos, que faziam parte a maioria da população em geral, ou seja, o analfabetismo era a situação da maioria dos brasileiros. Devemos entender também como gratuidade o dever do Estado de oferecer o segmento instituído na lei gratuitamente.


A partir do século XX, diversas Constituições e promulgações foram instituídas, e, portanto, o direito à educação sofreu diversas mudanças. Com a Revolução de 1930 houve a criação do Ministério da Educação e Saúde e a reestruturação de um Sistema Nacional de Ensino. Em 1934, instituiu-se a educação como direito de todos e dever da família e dos Poderes Públicos, abrindo uma discussão sobre quem realmente detinha o dever: o Estado ou a família. Na mesma constituição, promulgou-se o ensino primário gratuito e obrigatório extensivo aos adultos. Na constituição de 1937, introduziu-se que a educação deve ser gratuita para os mais necessitados, substituindo um direito extensivo a todos. Porém, em 1946 voltou-se com a idéia da constituição de 1934 da educação como direito de todos. Em 1967, ampliou-se o período de duração do ensino primário para oito anos, mudando a nomenclatura em 1971 para ensino de primeiro grau, abrangendo a faixa dos 7 aos 14 anos de idade.


A Constituição de 1988 foi de extrema importância, pois a partir dela instituiu-se como dever do Estado para com a educação a garantia de: ensino fundamental obrigatório e gratuito; progressiva extensão da obrigatoriedade, gratuidade ao ensino médio e atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade, acesso aos níveis de educação mais elevados, da pesquisa e da criação artística segundo a capacidade de cada um e atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. Além da Constituição Federal, de 1988, existem ainda duas leis que regulamentam e complementam a o direito à Educação: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990; e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. Juntos, estes mecanismos abrem as portas da escola pública fundamental à todos os brasileiros, já que nenhuma criança, jovem ou adulto pode deixar de estudar por falta de vaga.


É direito da criança e do adolescente:

ter acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência;
ser respeitado por seus educadores;
ter igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
direito de contestar os critérios de avaliação, podendo recorrer às instâncias escolares superiores.



São deveres dos pais:

matricular seus filhos (ou pupilos) na escola;
acompanhar a freqüência e aproveitamento de suas crianças e adolescentes na escola.
O descumprimento destes deveres pode ser identificado como crime de abandono intelectual (quando a criança não é matriculada na escola), ou infração administrativa (quando os pais não acompanham o desenvolvimento no aluno na escola).


É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:

ensino fundamental (da 1ª à 8 série), obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria;
ampliar gradativamente a oferta do ensino médio (colegial);
atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência (de preferência na rede regular de ensino);
atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;
acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística;
oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;
atendimento no ensino fundamental, através de programas que garantam material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.


Caso a garantia do ensino público obrigatório e oferecido de maneira regular seja descumprida, o Poder Público pode ser responsabilizado (artigo 209, §2º da Constituição Federal), e o chefe do executivo (prefeito, governador) pode até mesmo ser deposto.


É tudo uma questão de interesses históricos, sociais e políticos muito complicados de serem resolvidos, mas no fundo sempre surge a esperança de nós, educadores, trabalharmos com amor para tentarmos mudar essa conjuntura e por fim nessa fraude que é o sistema educacional vigente. Pois é, a esperança é a ultima que morre, sempre!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Frases

"O amor é essa força incontida, desarruma a cama e a vida, nos fere, maltrata e seduz.

É feito uma estrela cadente que risca o caminho da gente, nos enche de força e de luz. "

" Fazer samba não é contar piada, quem faz samba assim não é de nada.

Um bom samba é uma forma de oração."

"A maior solidão é a do ser que não ama"

"Quem de dentro de si não vai morrer sem amar ninguém;

O dinheiro de quem não dá é o trabalho de quem não tem."


Vinícius de Moraes